Acordou atrasada para os compromissos do dia. Tinha ficado à espera de voltar a luz. O apagão iniciado pouco depois das dez da noite em mais de 18 Estados brasileiros havia lhe tirado o sono. Uma preocupação maior com os peixes do aquário e a falta de oxigênio – a bomba também era plugada na energia elétrica, você imagina?! – outra que rondava seus pensamentos, mas que ela não deixava escapar para o marido: a geladeira e todos os iogurtes que facilitam o funcionamento do intestino, o queijo branco, a linhaça....ah, essa poderia resistir a muitos dias sem luz antes de estragar.
Mas enfim levantou-se depois de retirar cuidadosamente a máscara de creme de pepino do rosto. Queria aproveitá-la novamente na noite seguinte, apesar da queda do dólar propiciar mais compras cosméticas no Duty Free. Chegou à copa com sua roupa de ginástica e revoltou-se com a empregada. Onde estavam as duas fatias de pão integral e o mamão de todo santo dia? Quase sem coragem, a empregada responde que a ausência do pão era esquecimento mesmo e que o mamão...bem, o mamão não tinha resistido ao calor senegalês e à ausência de refrigeração.
Engoliu o café da manhã parcialmente balanceado e saiu para o dia extremamente cheio. Tinha que incumbir o motorista de deixar a babá na escola da filha e ir ao Santa Luzia; e deixar claro para ele que só deveria ir buscar as compras na Vila Nova DEPOIS que fizesse isso.
Rompeu a garagem de duas portas depois de sentar a mão na buzina sem dar bom dia ao segurança; que mesmo assim tinha obrigação de manter o trato e cumprimentá-la.
O stress foi dominando-a sorrateiramente. Primeiro os carros de pobre que enchiam as ruas da cidade. Depois as caçambas jogadas diante de prédios chiques como o seu, abarrotadas de entulhos. Mais adiante, a faixa exclusiva de ônibus, que absurdo dar prioridade pra eles! Jogou o carro na mesma para não chegar atrasada, ciente de que depois deveria falar com o Mauro, do DETRAN, para aliviar as multas e transferi-las a algum morto qualquer.
Não entendia porque tantos semáforos ainda estavam desligados. Sem ligar CBN ou Sul-América, xingava a CET, muito incompetente de ainda não ter feito as coisas voltarem ao normal. No caminho planejou o encontro via celular. Falando com a amiga, pediu que prometesse sigilo se quisesse a acompanhar na empreitada: então me encontre lá, mas vá sozinha! Não quero que espalhe, se não te tiro da roda de carteado de domingo no clube.
No endereço, discretos manobristas à frente de uma casa branca faziam a recepção. Mais uma vez sem o bom dia: não quero meu carro longe pra você ficar dando volta e pagando de gato. Você faça o favor de deixá-lo na porta ou falo com sua chefe. Servilmente, ele só assentiu com a cabeça.
Na entrada, a recepcionista, de sorriso largo, lhe dá bom dia e milagrosamente recebe de volta outro, acompanhado de um querida. “Está tudo pronto? Estou morrendo de pressa!”
A resposta trouxe lágrimas contidas aos seus olhos. “Olha, infelizmente, a gente não vai estar podendo realizar o bronzeamento hoje. A ANVISA acabou de divulgar uma nova norma que proíbe o uso deste aparelho que temos porque a pessoa que estiver fazendo o tratamento pode estar ficando mais propensa a ter problemas de pele...”
Era o fim....”paisinho de merda esse....quero ir pra Paris!, lá sim é que é País de verdade!”
O que ocorreu naquele dia já é amplamente sabido. Uma chacina sem precedentes ceifou a vida de 111 (oficialmente) presos, que não eram santos, mas também não precisavam ser executados da maneira como foram por uma polícia com cacoetes da ditadura militar. Nenhum dos policiais foi sequer ferido, pois segundo consta nos laudos não houve confronto direto. Apenas matança aleatória de pessoas.
Do massacre, muitos daqueles que conhecem o dia-a-dia carcerário, surgiu a idéia entre os presos de que deveriam ser mais fortes e ter mais respeito. Era o embrião para o Primeiro Comando da Capital (PCC), que não pára de crescer, apesar de as autoridades dizerem o inverso.
Mas o mais intrigante como fato recente: dezessete anos depois, o próprio então governador, depois deputado federal e com alguns processos nas costas por desvios de verbas públicas, sofreria dor semelhante aos dos parentes daqueles presos. A cultura da violência, que permeou sua família de direita e a favor da ditadura, fez dele uma vítima e não mais agressor.
Dias atrás, no interior de São Paulo. Aparentemente, por conta de uma discussão sobre uma batida de carro, seu irmão mais novo, Paulo Fernando Coelho Fleury, perdeu a cabeça, atirou e matou o próprio filho. Ainda em choque por conta do feito, tirou a própria vida, tudo diante dos olhos de sua esposa, mãe do inconsequente menino de 20 anos que tinha....batido o carro.
"Quizás esa fue la primera vez que tuve planteado prácticamente ante mi el dilema de mi dedicación a la medicina o a mi deber de soldado revolucionario. Tenía delante una mochila llena de medicamentos y una caja de balas, las dos eran mucho peso para transportarlas juntas; tomé la caja de balas dejando la mochila para cruzar el claro que me separaba de las cañas. (...) Cerca de mí un compañero llamado Arbentosa caminaba hacia el cañaveral. Una ráfaga que no se distinguió de las demás nos alcanzó a los dos. Sentí un fuerte golpe en el pecho y una herida en el cuello; me di a mi mismo por muerto. Arbentosa, vomitando sangre por la nariz, la boca y la enorme herida de la bala 45, gritó algo así como ¡Me mataron! y empezó a disparar alocadamente, pues no se veía nadie en aquel momento. Le dije a Faustino, desde el suelo, ¡Me jodieron!, Faustino me echó una mirada en medio de su tarea y me dijo que no era nada,(...) Alguien, de jodillas gritaba que habia que rendirse y se oyó atrás una voz, que después supe pertenecía a Camilo Cienfuegos, gritando: ¡Aqui no se rinde nadie, carajo!"
O que vai dar isso, ninguém sabe com certeza. Mas até lá a gente vê. Sempre foi assim. Obviamente chamaram cineastas de peso pra dinamarquês ver. E num é que funcionou?
Mais uma baixa expressiva no mundo virtual. Lawrence Lessig, após 7 anos de militância blogueira, irá descontinuar os trabalhos de seu blog.
Professor da Faculdade de Direito de Stanford (já tendo também lecionado em Harvard e Chicago), especializou-se em Direito em meios eletrônicos. Ele é responsável pela fundação do projeto Creative Commons, uma iniciativa inspirada pelo guru da liberdade virtual, Richard Stallman, que já tem diversos adeptos pelo mundo, de artistas como Gilberto Gil e Blu a donos do mundo, como o rei do pop, Barack Obama.
Além do fim de seus posts, na comemoração de 4 anos de início das atividades do CC (ocorrida no Second Life!) Lessig anunciou que deixaria a presidência do Creative Commons, dando lugar ao co-fundador japonês Joi Ito.
Jimmy Walles segura a placa de "aposentadoria" de Lessig.
Dentre as razões colocadas por Lessig para a aposentadoria de seu blog (com aproximadamente 1753 posts), a primeira é o nascimento de seu terceiro filho. Além disso, nosso herói acaba de assumir a cadeira de diretor do Centro de Ética Edmond J. Safra, em Harvard. Segundo ele, isso representa uma pesquisa de 5 anos em corrupção institucional (é, nos EUA rola isso também, mas tem um povo trabalhando duro pra não dar em pizza). E conforme Lessig mesmo diz:
“While I expect that project will have a critical cyber-presence, I don't want its life to be framed by this blog. The mission, the understanding, the community is different.”
Por fim, Lessig desabafa ao dizer que 1/3 dos 30 mil comentários em seu espaço são “fraudulentos”, e voluntários tentaram durante todo este tempo apagar tais estorvos. Entretanto, tal mutirão não foi suficiente, a ponto de o Google ter expulsado o blog do homem de seu índex, de tanto que sites de cassinos ilegais linkavam ele. Ao ser questionado porque não colocou barreiras que impedissem tais ações, ele simplesmente responde – em outras palavras, claro - que não faria sentido nenhum lutar tanto tempo para modificar a lei do Copyright sem viabilizar um espaço à livre expressão de idéias.
Concluindo, este é um belo exemplo de como é difícil manter um blog. Subir conteúdo pelo simples prazer de fazê-lo demanda tempo e energia. Mas ele manteve tal janela aberta por quase uma década, obviamente com colaboradores, e não deixou a peteca cair. Ave, Lessig! Ilumine os kiputzers e toda a nação blogueira.
Abaixo, um vídeo que de uma palestra de Lessig no TED. Dá pra ter uma boa idéia de que o homem não está de brincadeira.
Em Bochum, na Alemanha, esse digníssimo senhor de 46 anos tomou umas a mais e acabou caindo num bueiro. Acima do peso como estava, entalou e dali só saiu com o auxílio das autoridades.
O indivíduo não sabia dizer pra polícia como havia caído, mas que havia tentado sair dali apoiando-se num pára-choque de um carro, arrancando o mesmo com sua força etílica. O melhor de tudo é que o caboclo-Hans saiu andando pra casa após o resgate.
" 'Jackie é o vocalista', determinou o pai, Joe, depois de muito custo. Desde que encontrara um violão escondido no porão do sobrado em que morava, em Gary, Indiana, passara a vigiar os filhos de perto. Ele próprio se aventurara pelas cordas (e estradas) ressonantes do blues e temia que os filhos embarcassem na onda musical. Um dia voltou mais cedo da siderúrgica em que trabalhava e colou o ouvido na porta, tentando flagrar um acorde ou outro.
Ouviu as belas vozes de Tito, Jackie e Jermaine harmonizando sucessos de Sam Cooke, Ray Charles e James Brown. Era soul, era hip, era novo, era diferente. Era grana no bolso, certeza. Sorriu, pensativo. Até que uma nota saiu do lugar e seu ouvido de músico flagrou a falha. Invadiu o porão de cinto em riste e proferiu um discurso que marcou a cabeça (e a pele) dos três moleques. "Se vocês vão fazer música, vão fazer bem feita. Nem que eu tenha que passar dez dias seguidos com vocês nesse porão". A brincadeira de criança virou trabalho profissional; os côveres despretensiosos, música pra parada de sucesso.
A contragosto do rabugento Joe, os caçulas Michael e Marlon resolveram pegar na percussão e entrar na onda. O Jackson Family virou Jackson Five. E o Jackson Five voou alto: partiu dos clubes black de Gary para os clubes black de todo o estado; de Indiana para Chicago; de Chicago para as concorridíssimas audiências da Motown. O primeiro teste não foi grande coisa, os "capos" da gravadora sacaram potencial no menorzinho. E só. Joe ficou inconformado e resolveu tirar a ideia de que 'Jackie é o vocalista' da cabeça. 'O menorzinho é o vocalista', determinou. Pobre Michael. Debaixo de porrada, ele aguentou o fardo de toda a família. Cantou, apanhou, dançou, apanhou, deixou de dormir para ensaiar, apanhou, deixou de brincar para ensaiar, apanhou, liderou o grupo na derradeira audiência da Motown, com uma versão estrondosa de 'I Got The Feelin'', de James Brown, apanhou, conseguiu o contrato, apanhou, atingiu o primeiro lugar da Billboard, apanhou, resolveu seguir carreira solo, apanhou, virou o maior ícone pop do planeta e passou a apanhar de si próprio e do mundo.
Mas, no fundo, entre todas as esquisitices que cercam a carreira e a vida dele, Michael Jackson sempre foi um menino extremamente talentoso. Um gênio precoce que pagou com corpo e a alma o preço de sua genialidade. E não se deu conta disso. Mas as especulações acerca do excêntrico e possivelmente criminoso Michael são muito menos interessantes do que seu legado musical. Este sim, bastante nutritivo."
"Down every street there's a window And every window's made of glass We'll keep on lovin' pretty baby For as long as love will last Beyond here lies nothin' But the mountains of the past" Bob Dylan (1941-)
Para isso, os amigos Rafael Grostein e Rodrigo Edelstein chamaram Luciano Aroera para completar o trio de sócios, que com seus contatos ajudaria a dupla a fazer a r.stein crescer após um ano num pequeno stand também no Itaim.
Foram 2 anos de muito trabalho, mas principalmente de muitos bons momentos que jamais serão esquecidos por muitos que lá frequentaram e fizeram da pequena lojinha uma extensão de sua casa...
Muitos foram aqueles que quando não tinham o que fazer, esticavam suas perninhas no sofá do segundo andar e de lá saiam apenas quando a loja fechava. Muitos foram aqueles que saiam do escritório e lá tomavam uma cervejinha jogando um pouco de conversa fora. Muitos foram aqueles que espalhavam e participavam de toda a história da r.stein, seja ela em SP ou na Bahia...
Aaaahhhh r.stein, lojinha querida, que nos rendeu amizades até então inimagináveis, começo, recomeço e fim de namoros terminados ou quase virando casórios, blogs, baladas e outros contatos profissionais, hoje completaria 3 anos de existência se não tivesse fechado suas portas por problemas com vizinhança, muito trabalho x pouco retorno e novos desafios dos sócios.
Aaaahhh r.stein... Graças a ela aprendemos muito, crescemos, evoluímos e conhecemos muita gente...Vencemos e perdemos, rimos e choramos, brigamos e nos abraçamos, foldamos e demos all ins, amamos, amamos, amamos e jamais a odiamos...Aaaaah r.stein, que saudades...
À todos que um dia lá pisaram, muito obrigado por ter feito parte de um dos melhores momentos de minha vida.
Frente à breve crise dos colaboradores do Kiputz!, deixo meu manifesto com essa bela imagem obamizada de Alfred E. Newman, um ícone do bom conteúdo, a fim de estimular meus parceiros, quiçá um tanto desgostosos com o momento atual (uns de cama, outros de mudança, e outros até em inferno astral[!]). Não esmoreçam, meus jovens!
"...the less care they give them, the more money they make" Quando Richard Nixon, em 1971, ouviu isso de seu conselheiro, as coisas começaram a se complicar para quase 50 milhões de americanos. E quando Hilary Clinton tentou, enquanto primeira dama, mudar o cenário, todos caíram de pau em cima da digníssima senhora, dizendo que saúde universal é coisa de comunista. O bombástico documentário de Michael Moore vai fundo no sistema de saúde norte-americano, que fatura alto ao simplesmente recusar tratamento aos seus segurados. A coisa piora quando ele descobre que na Base de Guantánamo – onde ficam os terroristas mais perigosos do mundo – o tratamento aos membros da Al Qaeda é de primeira, e que em Cuba, o inimigo vermelho, a saúde é para todos. Palmas para Moore, que mais uma vez pega no pé do modus operandi de seus conterrâneos com suas luvas de pelica furadas. E para os amantes da cultura livre, o filme está disponível na rede. [Raphael Bottino]
2009 promete. Promete tanto que dá até medo. A começar pelo novo messias Obama que, com seu charme, que transborda pelos poros cheios de melanina, sua oratória de bispo de igreja evangélica e uma ginga no pé que deixa muito brazuca no chinelo, levou as massas do mundo todo pro colorido lado dos democratas. Yes, we can! Podemos sim mudar o mundo e... mas mudar pra onde? Os lendários bancos quebrando; as montadoras centenárias pedindo arrego; as centenas de milhares de pessoas que não têm mais emprego; os palestinos e os judeus que nunca se resolvem e, como pais em vias de separação, colocam as crianças literalmente no meio da briga; enfim, parece que estamos todos no mesmo buraco, caindo vertiginosamente, e o negão lá, tentando nos puxar pra fora dele. E pra fora de Guantanamo também, graças ao bom Jah.
E aqui? Aqui ta tudo legal, afinal, é verão,e logo logo, adivinhem, é Carnaval! Na Bahia o sol brilha como nunca. No Rio também. E por falar em Rio, entre trocas de tiros dos barões dos morros, a neo-globeleza já esquenta as vinhetas globais enquanto os galpões das escolas enchem de gente louca por um samba-enredo pra cantar. É muita alegria, exceto pro pessoal da Renascer, que de tanto tacar pedra na cruz e passar Visa Electron na missa recebeu um castigão, daqueles dignos de filme americano.
Em São Paulo, a chuva alaga todos o pontos que pode, atrasando a vida de todo mundo, mas perto de Itajaí, ta tudo limpo. A bolsa opera em alta pelo 3º dia consecutivo (!). As magrelas desfilam suas carcaças mal nutridas cobertas com as novas tendências. E o Vice presidente repousa depois de uma complicada intervenção cirúrgica. Ainda bem que temos o titular, que aliás já falou com o Obama e, em papo amistoso, parece que até marcaram uns almoços. Se eu fosse o Lula, convidaria o negão para uma viagem a Caraíva, onde ali sim ele poderia mostrar seus dotes de dança de salão num forrozinho pé descalço do bom. Até o Sarkozy se rendeu aos encantos da terrinha. Só de imaginar a cena, escorrem lágrimas.
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