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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Lo que sea

Ha llegado la hora, mi amor
Sientate al lado mio y escuchas
Lo que te voy a decir:
Lo que sea, o lo que iba,
Ya lo fué
Ya pasó.

Pues así es,
Mucho tiempo ha corrido
Mucho verbo ya dicho
Y los pares que por ahí veo
Cojen como los conejos
Mientras hablamos de todo
Y de todos
Nadie pierde el tiempo
Cuanto a los conejos
Estos seguro que no sufren de anedonia
Los delfines y cerdos, tampoco
Dejan la charla para el desayuno
Pero nosotros, cariño
No podríamos estar mas cerca
Y tan lejos…

No te enfades, cariño
Ya lo hecho yo
Dejame llevar conmigo
Lo que falta
Lo que fue
Lo que sea.



Julio Chaleco

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

nekudat hen

Por Jules Gilet


Semana passada me chamaram para ir a um evento. Inauguração de um bazar itinerante, cheio de moças jovens atrás das novas tendências. Tímido por não estar trajando uma indumentária de acordo, resolvi mesmo assim me misturar. Entre moleskines, bonecas descoladas, sabonetes conscientes e araras cheias de panos dos mais variados, havia uma moça de vestido meio bege, salto alto escuro e muita pose, que passava de um lado para o outro, atarantada e dando atenção a todos.

No hay banda, respondeu um homem de sotaque português a um grupo de jovens que estava ali só pela festa. Independente de tudo, a moça, mais que must have, era um must be. Sem ela, o ambiente - apesar de muito colorido - ficava meio desbotado, quase pastel.

Ao entrar no recinto, as cores saturaram, o contraste apareceu, e até o som aumentou (mas este, sendo de verdade ou não, foi logo diminuído pela própria, que se preocupava com os vizinhos). Seu ar austero e de movimentos contidos denotavam um peso de responsabilidade pueril e sóbria. Ao pegar um shot de mousse de manga com canela, sem querer esbarrei nela e, como que por acaso, derramei um pouco do quitute naquele fantástico vestido. Nossa! Mil desculpas! Foi o que pensei, mas nada consegui dizer. A moça olhou para o vestido, depois para mim, abriu um sorriso com todos os dentes do mundo. No canto superior esquerdo de sua boca, uma marca que os hebreus chamam de “ponto de graça” (נקודת חן) e seus olhos, apesar de transmitirem um leve desagrado pelo acidente, me encararam de tal forma que me senti com 7 anos de idade, recobrando a calma ao soletrar uma palavra difícil no auditório lotado da escola.

Balbuciei alguma coisa, na ânsia de me desculpar, mas só gaguejei. Não foi nada, disse ela com uma serenidade digna de parteira do interior. De súbito, um jovem esquálido e afeminado vestindo roupas-tendência a chamou às pressas. Parecia seu assistente e chamava-se Alcides. Olhou para mim com desdém, depois com horror para a mancha de manga com canela, e logo puxou aquela mulher, que sumiu em meio a consumidores de chapéu, calças rasgadas e botas de meia estação.

Antes de sair daquele lugar cheio de gente chique, no qual sentia não me encaixar, principalmente por não conhecer nomes de estilistas e por derrubar comida em pessoas, perguntei a um senhor baixinho, careca e muito simpático sobre aquela moça, que era mais uma epifania do que qualquer outra coisa. Nadine disse-me ele, e é ela quem organiza essa coisa toda.

Voltei para casa com a sensação de ir na festa de casamento de bico e arrumar briga com o pai da noiva.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Shaná Tová! 5770 ראש השנה

Isso mesmo, minha gente. Ano 5770 e contando. Fé que o messias vai chegar, lembrem-se do poeta "Eu tardo mas não falho". E não se esqueçam, goy não dói!

Shalom to all

J.G.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Samba do Jato


Um galo cantou
Meu sonho acordou
O jogo acabou, calado
E eu madruguei
Chutando pedras pelo chão
Com a solidão do lado

Um cão me seguiu
Um jato partiu
E tudo ficou parado
E eu acabei naquele bar
Onde nós dois
Vivemos nosso passado
Fui beber
Meu "traçado" de paixão e dor
Com o copo a suar
Minha ilusão de amor


© Tonga Editora Musical LTDA
64270351/BRMCA7400012



Ficha Técnica da Faixa:
Voz: Vinicius de Moraes
Voz e violão: Toquinho


J.G.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

caê - ontem, hoje, sempre

Arrenego de quem diz
Que o nosso amor se acabou
Ele agora está mais firme
Do que quando começou

trecho de "it's a long way"

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O caranguejo, a verdade e o pão na chapa

Tem alguém aí? Perguntou o jovem do lado de fora. Ninguém respondeu. Podia ter certeza que viu alguém entrar por aquela porta, minutos antes. Estava ali, a esperá-la passar. Estranho, muito estranho. Ela acabara de sair para o trabalho e, de certo, demoraria um tanto a voltar. Mas ele não se importava. Iria esperar e dizer tudo que pensava. Sem rodeios, sem meias palavras. Deixaria bem claro o que sentia, sem se importar com a resposta. Afinal de contas era um homem, e um homem ter que fazer o que um homem tem que fazer. Mas enquanto nada acontecia, enquanto ali esperava, prostrado do outro lado da rua, tinha certeza que acabara de ver alguém entrar por aquela porta. Quem seria? São poucas pessoas que entram por ali. E afinal, que raios vinham fazer? Desimportante, isso é desimportante. O importante mesmo é saber exatamente o que dizer. O momento é decisivo e não haverá outra chance. O coração palpita. Talvez seja prudente se acalmar. Há uma padaria logo ali,... quem sabe se tomar um suco de laranja não acalma os ânimos? Dizem que maracujá também é ótimo para os nervos. Um pão na chapa seria ótimo também, afinal, já era onze da manhã e ele estava ali, de pé, desde as oito e meia. Por pouco a perdera de manhã, saindo, disse o porteiro. Mas também, dizer tudo o que é preciso logo de manhã é dose. Muita imprudência. A menina mal acorda e já é bombardeada. Não há sentido. À padaria. É, pão na chapa e suco de laranja, natural, claro. Mas e se ela voltar para o almoço? Mais uma oportunidade perdida. Melhor esperar. O celular toca, o chefe ligando. Ele ignora, afinal, nada mais importa, e ele não conseguiria trabalhar de forma alguma com essa pendência a ser sanada. De jeito nenhum. Uma e meia, e nada dela voltar para o almoço. Talvez esteja muito atarefada no trabalho. Ou talvez ela nem almoce em casa. Pior ainda, talvez ela nem more mais aqui. Não, isso não. Seguramente que mora. Semana passada mesmo ele tinha oferecido uma carona. Ela aceitou, muito educada. Estou cansada, disse. Sempre cansada. Estranho, muito estranho. Talvez ela trabalhe demais e faça muita festa, e esta é uma combinação muito cansativa, mesmo para os jovens. O telefone toca de novo, do trabalho. Melhor nem atender. Onde diabos está você? Pergunta o chefe por mensagem de texto. Será que vale resposta? No hospital. Atropelado a caminho do trabalho. É uma boa desculpa. Velório de vovó também pega bem. Melhor nem responder, conclui. Duas e quarenta. Talvez agora seja uma boa hora de ir até a padaria. O suco de laranja com gosto esquisito faz o garoto concluir que as laranjas foram cortadas com faca de cabo de madeira, a mesma que cortou as cebolas. Pelo menos o pão na chapa está ótimo, mas não vai bastar para amainar a fome. Lembrou-se que o sanduíche de bife à milanesa da padaria era demais. Comiam juntos, aos fins de semana ociosos. Certa vez ela comeu 13 deles. É que resolveu apostar com o dono da padaria, o Miltão. Miltão passou mal com dez, e ela mandou 13. Incrível mesmo. Mas isso faz muito, muito tempo. Miltão até já morreu, de enfarto. Parece que ele apostava sempre quem comia mais, até que as veias entupiram todas. Cinco e vinte. Ela deve chegar em breve, isso se não for correr ou atender à aula de Tai Chi no parque. Bom, recapitulando, dizer tudo, isso mesmo, tudo, sem rodeios. Ele repassa o discurso na cabeça, pois se ensaiar mesmo os passantes vão achá-lo maluco. Onde já se viu, falando sozinho? Seis e meia. Vê seu carro no fim da rua. É agora. Vai dizer tudo, tudo mesmo. As mãos suam, o estômago revira. Respire fundo, rapaz, disse para si mesmo. Ela embica o carro para estacionar, ele atravessa a rua, decidido. Ela o vê, e abaixa o vidro. Olá! Que faz você por aqui? Ela pergunta com um sorriso, já estendendo o rosto para ser cumprimentada. Estranhamente ela oferece a face e deixa a boca tão longe,... e se deixa beijar, mas não beija de volta, não faz nem o barulhinho. Isso lhe soa tão vazio, mas não importa, pois agora é hora de dizer. Diga! Sua cabeça comanda. Ela o encara, esperando por alguma resposta. Não, é que eu estava só passando por aqui. Vinha da igreja e ia à padaria. Igreja? Não sabia que freqüentava. Pois é... Bom, legal,... nos falamos mais tarde então. Estou tão cansada. Vou me aprumar e sair. Que tal uma cerveja? Acho uma boa, responde ele. Melhor eu ir agora, à padaria. Ok, depois nos falamos. Tchau. Ele sai andando, e pensando que mais uma vez deixou passar. Mas também não parecia um bom momento, certamente haverá um melhor. Igreja? Como assim, igreja? Não ia à igreja há anos. Que desculpa imbecil. Mas ele não é tão covarde assim, pensa. Será que evitava dizer tudo por algum motivo? Talvez esta seja uma gaveta que não valha a pena reabrir, pois está muito bagunçada, disse-lhe seu xamã. Mas ele relutava a acreditar nisso. Gaveta. Onde já se viu chamá-la de gaveta. Ela seria um belo de um criado mudo inteiro, isso sim. De ypê. Ou não. Semana que vem. Isso! Semana que vem volto e digo tudo. Fechado! Da semana que vem não passa. Não precisa aparecer mais. Essa foi a última mensagem de texto do chefe.

J.G.


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Cuide-se

"Há algum tempo, venho querendo responder seu último e-mail. Na verdade, preferia dizer o que tenho a dizer de viva voz. No entanto, vou fazê-lo por escrito.

Você já pôde notar que não estou bem ultimamente. É como se não me reconhecesse em minha própria existência. Sinto uma espécie de angústia terrível, contra a qual não consigo fazer grande coisa, exceto seguir adiante para tentar superá-la. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a 'quarta'. Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as 'outras', não achando logicamente um meio de vê-las sem transformar você em uma delas.

Pensei que isso bastasse. Pensei que amar você e que o seu amor — o mais benéfico que jamais tive — seriam suficientes. Pensei que assim aquietaria a angústia que me faz sempre querer buscar novos horizontes e me impede de ser tranquilo ou simplesmente feliz e 'generoso'. Pensei que a escrita seria um remédio, que meu desassossego se dissolveria nela para encontrar você. Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições nem sequer de lhe explicar o estado em que mergulhei. Então, nesta semana, comecei a procurar as 'outras'. Sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Nunca menti para você e não é agora que vou começar.

Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,…) e compreensível (obviamente…). Com isso, jamais poderia me tornar seu amigo. Você pode, então, avaliar a importância de minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante de sua vontade, ainda que deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre os seres e a doçura com que você me trata sejam coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você do modo que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá.

Mas hoje seria a pior das farsas manter uma situação que, você sabe tão bem quanto eu, se tornou irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único.

Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente.

Cuide-se."

O e-mail em que o escritor Grégoire Bouillier rompe com a artista Sophie Calle.

O DEBATE, A EXPOSIÇÃO E O LIVRO
Entre Quatro Paredes, encontro de Sophie Calle com Grégoire Bouillier. Dia 4/7, às 11h45, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Cuide de Você, exposição de Sophie Calle. De 10/7 a 7/9, no Sesc Pompeia, em São Paulo (tel. 0++/11/3871-7700). De 22/9 a 22/11, no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador (tel. 0++/71/3117-6141).

O Convidado Surpresa, livro de Grégoire Bouillier. Cosac Naify, 120 págs., R$ 35.

PA

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Você roubou meu sossego.
Você roubou minha paz!
Com você eu vivo a sofrer...
Mas sem você vou sofrer muito mais!

Você roubou meu sossego.
Você roubou minha paz!
Com você eu vivo a sofrer...
Mas sem você vou sofrer muito mais!

Já não é amor!
Já não é paixão!
O que eu sinto por você é obsessão!

Milton De Oliveira E Mirabeau/irmãos Vitale

domingo, 5 de julho de 2009

Can't Wait

I can't wait, wait for you to change your mind
It's late; I'm trying to walk the line
Well it's way past midnight and there are people all around
Some on their way up, some on their way down
The air burns and I'm trying to think straight
And I don't know how much longer I can wait

I'm your man; I'm trying to recover the sweet love that we knew
You understand that my heart can't go on beating without you
Well, your loveliness has wounded me, I'm reeling from the blow
I wish I knew what it was keeps me loving you so
I'm breathing hard, standing at the gate
But I don't know how much longer I can wait

Skies are grey, I'm looking for anything that will bring a happy glow
Night or day, it doesn't matter where I go anymore; I just go
If I ever saw you coming I don't know what I would do
I'd like to think I could control myself, but it isn't true
That's how it is when things disintegrate
And I don't know how much longer I can wait

I'm doomed to love you, I've been rolling through stormy weather
I'm thinking of you and all the places we could roam together

It's mighty funny; the end of time has just begun
Oh, honey, after all these years you're still the one
While I'm strolling through the lonely graveyard of my mind
I left my life with you somewhere back there along the line
I thought somehow that I would be spared this fate
But I don't know how much longer I can wait.

Bob Dylan (1941 - )

terça-feira, 16 de junho de 2009

D.R. Reloaded - Beyond Here Lies Nothin'

"Down every street there's a window
And every window's made of glass
We'll keep on lovin' pretty baby
For as long as love will last
Beyond here lies nothin'
But the mountains of the past"
Bob Dylan (1941-)




Fonte: IFC

Para todos que amam com vigor.

J.G.

sábado, 13 de junho de 2009


"O verdadeiro amor tem, como a virtude, esta vantagem : recompensa todos os sacrifícios que por si fazem e sentimo-nos felizes, de certo modo, com as privações que nos impomos."

Jean Jacques Rousseau


Fonte: Migalhas


sexta-feira, 29 de maio de 2009

mensagens de amor

Recebi hoje de uma mocinha que costuma trocar gracejos comigo por meios eletrônicos. fofoleta.
LET YOUR LOVE FLOW

terça-feira, 26 de maio de 2009

Causalidade



















Ela chegou,
Eu a vi
Ela falou,
Eu ouvi
Ela ficou,
E eu aqui
Ela olhou,
Emudeci
Ela falou,
E eu ouvi
Ela piscou,
Enrubesci
E me beijou.
Respondi.
Ela sorriu
E eu,
Eu sorri.

Mas depois,
Depois mudou.
Não entendi.
Ela causou,
Enlouqueci
E me deixou
Sem despedir.
.
.
.
Não esqueci.
.
.
.
J.G.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

Samba de Outono

Por Jules Gilet



I
Denis era um louva-a-deus do samba. Jovem, verde e disposto, saía todas as sextas a fim de encontrar os amigos, beber uma cerveja, enfim, curtir a curta e prazerosa existência com seus pares.

O samba comia solto no arbusto da rodésia, e a roda reunia gafanhotos, grilos, borboletas, baratas e todo o povo a fim de um bailinho. As formigas não, pois estas trabalham duro para manter coesa a existência.

Num desses dias de festa, estava o jovem louva-a-deus a se aprumar. Após o banho, se afeitou, passou água-de-cheiro e até gomalina no cabelo. Botou de volta no pescoço a correntinha de São Jorge e, como era outono e a temperatura cai, vestiu sua camisa xadrez de flanela.

II
No caminho, parou na casa da Vó Nísia, para pedir a benção e ver que efeito sua produção causava na mulher mais sábia do bairro. Ainda que suspeita para falar, pois era avó do herói, Vó Nísia se impressionou com o garbo do jovem, mas manteve o entusiasmo para si.

Benção, Vó.” Disse Denis.
Jah te abençoe, meu neto. Posso saber onde vai todo arrumado?
Pois vou ao samba!
Hoje já é sexta? Como os dias passam rápido... A vida é curta, Denis. Aproveite-a enquanto é tempo, ainda mais no outono. Época tão agradável...
Ta lembrando do vô, né?
Ah, seu avô... conheci-o no outono, numa noite como esta. A lua cheia sorria para os que dançavam na gafieira ao som do Cartola e....
A senhora já me contou essa história, minha vó.” Já se levantando.
"Vocês jovens são muito impacientes. Mas não o culpo. Vai, meu filho, vai rodar essa carcaça.

E assim Denis saiu da casa de sua avó, e tomou o rumo do baile.


III

No arbusto da rodésia, a roda já estava quente. E do centro dela saíam os maiores sucessos de Bezerra da Silva, Zeca Pagodinho, Adoniran, Noel, Chico, Vinícius, Lamartine Babo, Cartola, Paulinho da Viola, Monarco, Elton Medeiros, Candeia e Zé Keti.

Todos se amontoavam e cantavam. Esbarrando em baratas, bezouros e alguns zangões, Denis foi até a mesa de comidas, onde sarapatel – o seu prato preferido - caruru, tucupi e tacacá são regra. E para beber, muita Catuaba, cachaça e Netuno. Denis ia começar sua boquinha quando, de repente, se deparou com uma bela louva-a-deus fêmea, mas diferente dele, ela era uma bela e marrom statilia maculata. Denis ficou paralizado. Seu coraçãozinho começou a bater como nunca. Enquanto fitava, não se deu conta que seu amigo Ernestito - um besouro baixinho e fanfarrão - chegava e levou um pedala na nuca.

Acorda ae, Denis!
Pooorra, pedala é sacanagem!
Aqui é assim, trutinha. Vacilou, o cachimbo cai. Que ‘cê ta com essas antenas de pé?
To paradão naquela marrom ali.
A Isabel? Ela é realmente demais, né? Elegante, ereta, e samba que é uma beleza. Acho que vou convidá-la para um bate-coxa
É mesmo? E aquela ali?” Denis apontou para o outro lado.
Onde?

Ernestito se virou rapidamente, curioso e, neste momento, com um golpe rápido, o louva-a-deus virou o amigo de cabeça pra baixo, e este ficou sacudindo as perninhas pra cima, sem sair do lugar.

Rapidamente, Denis foi se esquivando do povo que dançava contente, até que chegou próximo a Isabel. Se apresentaram, se cheiraram e roçaram antenas. Isabel tinha um ar austero, porém sacana, e logo gostou do nosso herói que, verde como a mata, chamou-a para dançar. De fundo, Cartola:

"Tive que contar a minha vida
A esta mulher fingida
Que me faz sofrer
Esta dor que tanto me crucía
Roubou toda a alegria
Do meu viver

Pode ser que ela ouvindo os meus ais
Volte ao lar pra viver em paz

Esta malvada bem sabe o mal que me fez
Mas não faz mal eu lhe perdoo outra vez
Meu coração vive reclamando noite e dia
Por isso eu peço que ela volte para a minha companhia"

Rodopiaram o salão. Abriu-se um considerável espaço ao redor deles, e todos encaravam aquele jovem louva-a-deus conduzindo a esguia Isabel com muita destreza.


IV
Após muita dança, Denis chamou Isabel para tomar um Netuno e um ar. Esta aceitou de bom grado, e logo estavam fora do arbusto da rodésia, se atracando com muita lascívia. Bem que sua avó havia lhe avisado que o outono transforma as mulheres. Ela também havia dito outra coisa sobre as fêmeas, mas por ter a cabeça pequena demais, não conseguia se lembrar exatamente o que.

O clima foi esquentando e, bem ao fundo, Denis ouvia um tema de Chico.

“(...)
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar"

De repente, Isabel foi abrindo a camisa xadrez do nosso herói que, sem acreditar na situação em que se encontrava, devolveu o estímulo, esfregando as anteninhas na moça.
"(...)
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Que ela só me guarda despeito
Que ela só me guarda desdém"

E ali mesmo, no meio da mata, à luz da lua, consumaram o ato, sem se importar com os passantes. Uma taturana que voltava do trabalho ficou horrorizada ao ver tanta sem-vergonhisse e fez uma careta. Estranhamente, Denis, apesar de estar completamente envolvido na situação, tentava insistentemente relembrar o conselho de Vó Nísia. Parecia importante, mas não conseguia por nada se lembrar o que era. A temperatura do jovem herói foi subindo, e Isabel não saía de cima dele.

"Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Se do lado esquerdo do peito
No fundo, ela ainda me quer bem
Essa moça...”

Acabou a música. Em meio aos aplausos, os sambistas fizeram menção de acabar com o som, mas o povo gritava “mais um, mais um!”. Denis tentou dizer algo, mas foi silenciado pela sensual moça, que aumentava seus movimentos cada vez mais. O povo começou a gritar em uníssono:

“Apesar de você
Amanhã há de seeeeeer
Outro diiiiiiiiaaa...”

E nesse momento nosso herói lembrou, mas era tarde, pois num movimento quase imperceptível, Isabel arrancou-lhe bem a parte da cabeça responsável pela lembrança dos conselhos da avó. Ele tentou gritar, mas ela tapou-lhe a boca e continuou a comer sua cabeça. Uma aranha que passava saiu correndo, achando que era assalto.

Não adianta gritar, meu bem. É assim que as coisas funcionam para nós.” Disse Isabel, de boca cheia.

E foi a última coisa que nosso jovem e verde herói, agora acéfalo, ouviu, pois a libidinosa e experiente Isabel abocanhou suas orelhas. Babando e tremendo, por algum motivo Denis ainda participava no ato do amor, e até com mais intensidade. E por fim, ambos chegaram ao clímax juntos, apesar de um não mais estar ali na consciência. Isabel, arfando, encarou-o por um tempo, caído na folhagem, mas como sua cabeça também era pequena, logo se esqueceu do nome de nosso herói. Reparou na correntinha de São Jorge no pescoço do desfalecido e pegou para si, de recordação.


terça-feira, 14 de abril de 2009

Love, love, love


Uma excelente terça-feira a todos.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

“A saga da derradeira tentativa do encontro entre duas pessoas”

titulo provisório, da saga da derradeira tentativa...
por r.e. belane parte 1, 2, 3, 4, 5 e 6 e assim vai seguir até que tenha um fim ou não, o que vier primeiro.


1
-até quando?

2
- oi, tudo bem? - tudo, e você? e conversaram e se beijaram e o beijo foi incrível e se conheceram e foram felizes para sempre até o sol nascer.

3
ele disse que ia ligar, ela passou o domingo esperando, ele não ligou, ela foi ao cinema sozinha, ele estava no mesmo cinema, sozinho, no fim do filme ela sentou ao seu lado, ele percebeu que ela havia chorado, ela percebeu que ele não tinha ninguém, eles se olharam como nunca haviam se olhado antes.

4
ele foi falar com ela, mas não soube o que dizer, ela esperou, ele continuou em silêncio, ela continuou esperando, então, ele chegou mais perto e ela olhou para baixo, ele chegou ainda mais perto, ela passou os braços pelo pescoço dele, os dois sorriram meio sem jeito e se beijaram. Foi um beijo estranho, eles eram melhores amigos, e continuaram sendo melhores amigos.

5
ele ligou para ela e pediu que ela voltasse, ela disse não, disse que tinha que acordar cedo e perguntou se eles podiam marcar um outro dia, ele disse que sim e desligaram. Eles ficaram pensando um no outro, ela sabia que não haveria outro dia, ele sabia que não haveria outro dia, ele sabia que ela sabia que não haveria outro dia e ela também sabia que ele sabia que não haveria outro dia.
ele vai esperar ela ligar, ela vai esperar ele ligar, não vão ligar; mas por um tempo, principalmente quando ela beber um pouco, ela vai pensar nele e vai se arrepender de não ter voltado, de noite sozinho em casa ele se arrependeu de não ter insistido para que ela voltasse, de manhã ele acordou e pensou nela.

6
ela tem medo de se apaixonar, ele quer se apaixonar mas não pode.


_

quarta-feira, 25 de março de 2009

Em busca do matrimônio


Nas andanças diárias por este mundão que é a web, acabamos por nos deparar com tudo quanto é tipo de conteúdo. Os ditos mais bestas acabam por completar o dia-a-dia, nada como sair um dedinho do tema trampo.

Das últimas que eu vi, uma que chamou a atenção foi a busca de um rapaz pelo grande amor. O "desencalha Wanderson" é o grito de amor (quiçá de liberdade!? bichooona) de um jovem na grande rede.

O mais animal são as fotos do dito cujo e o descritivo da garota perfeita:
  • Que seja uma mulher que queira agradar o Deus que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há.
  • Que nunca tenha sido “atriz de filme erótico”.
  • Que nunca tenha sido casada com alguém que esteja vivo.
  • Que não esteja grávida.
  • Que não tenha filho (ou filha).
  • Que tenha altura abaixo da minha altura.
  • Que tenha idade abaixo da minha idade. Ou seja, que tenha nascido depois de 11 de outubro de 1979.
Alguém?

PA

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pergunta

Histórias de amor são feitas de capítulos?

PA

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Jovens, Caetano...

Quero que você me pegue
Me abrace e me aperte
Me beije e me ame
E depois me mande embora
Que eu vou feliz da vida, amor
Quero ser mandado
Adorado
Acariciado
Machucado
E amado por você
E depois pode me mandar embora
Mesmo que sejam quatro horas da amanhã, chovendo
Fazendo frio, amor
E me proibindo de olhar pra outra mulher qualquer
Pois eu vou feliz da vida, vitorioso
Pois eu sou o seu escravo, amor
Pois eu sou o seu amante amado, amor

PA