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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Lo que sea

Ha llegado la hora, mi amor
Sientate al lado mio y escuchas
Lo que te voy a decir:
Lo que sea, o lo que iba,
Ya lo fué
Ya pasó.

Pues así es,
Mucho tiempo ha corrido
Mucho verbo ya dicho
Y los pares que por ahí veo
Cojen como los conejos
Mientras hablamos de todo
Y de todos
Nadie pierde el tiempo
Cuanto a los conejos
Estos seguro que no sufren de anedonia
Los delfines y cerdos, tampoco
Dejan la charla para el desayuno
Pero nosotros, cariño
No podríamos estar mas cerca
Y tan lejos…

No te enfades, cariño
Ya lo hecho yo
Dejame llevar conmigo
Lo que falta
Lo que fue
Lo que sea.



Julio Chaleco

terça-feira, 22 de setembro de 2009

300

Como foto comemorativa do 300º post, fiz uma breve pesquisa, mas obviamente que ao digitar "300" no Google, o oráculo digital só trouxe fotos do Xerxes Santoro, do Leônidas bombadão, e daquele número vermelho e sangrento.

Mas como a pesquisa é aprofundada, sou brasileiro e não desisto jamais, encontrei essa imagem do nosso Leônidas, guerreiro um tanto cansado após enfrentar um exército tão opulento com apenas seus 299 bravos guerreiros. Acho que ela mostra bem o ânimo de nossos colaboradores-kiputzers após 8 meses de postagens.

Já no outro extremo da América, Alfred E. Newman, ícone do conteúdo, comemorou assim:

Reparem na pompa, na roupagem, nas fontes, NO PREÇO! Ah, bons tempos...

Eu não sei como Hugh Hefner comemorou, mas certamente teve muita festa quando lançou a primeira de suas publicações:

Isso mesmo, ele com Marilyn, nós com Lulônidas, o mito. Outros tempos, outras mídias, outro conteúdo, o mesmo tesão!

É por essas e outras, jovens, que precisamos postar. Tudo bem que Newman e Hef estão em outra dimensão. Mas eles só chegaram lá porque postaram, postaram e postaram, e nunca desistiram.

Amo-lhes
Jules Gilet

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

nekudat hen

Por Jules Gilet


Semana passada me chamaram para ir a um evento. Inauguração de um bazar itinerante, cheio de moças jovens atrás das novas tendências. Tímido por não estar trajando uma indumentária de acordo, resolvi mesmo assim me misturar. Entre moleskines, bonecas descoladas, sabonetes conscientes e araras cheias de panos dos mais variados, havia uma moça de vestido meio bege, salto alto escuro e muita pose, que passava de um lado para o outro, atarantada e dando atenção a todos.

No hay banda, respondeu um homem de sotaque português a um grupo de jovens que estava ali só pela festa. Independente de tudo, a moça, mais que must have, era um must be. Sem ela, o ambiente - apesar de muito colorido - ficava meio desbotado, quase pastel.

Ao entrar no recinto, as cores saturaram, o contraste apareceu, e até o som aumentou (mas este, sendo de verdade ou não, foi logo diminuído pela própria, que se preocupava com os vizinhos). Seu ar austero e de movimentos contidos denotavam um peso de responsabilidade pueril e sóbria. Ao pegar um shot de mousse de manga com canela, sem querer esbarrei nela e, como que por acaso, derramei um pouco do quitute naquele fantástico vestido. Nossa! Mil desculpas! Foi o que pensei, mas nada consegui dizer. A moça olhou para o vestido, depois para mim, abriu um sorriso com todos os dentes do mundo. No canto superior esquerdo de sua boca, uma marca que os hebreus chamam de “ponto de graça” (נקודת חן) e seus olhos, apesar de transmitirem um leve desagrado pelo acidente, me encararam de tal forma que me senti com 7 anos de idade, recobrando a calma ao soletrar uma palavra difícil no auditório lotado da escola.

Balbuciei alguma coisa, na ânsia de me desculpar, mas só gaguejei. Não foi nada, disse ela com uma serenidade digna de parteira do interior. De súbito, um jovem esquálido e afeminado vestindo roupas-tendência a chamou às pressas. Parecia seu assistente e chamava-se Alcides. Olhou para mim com desdém, depois com horror para a mancha de manga com canela, e logo puxou aquela mulher, que sumiu em meio a consumidores de chapéu, calças rasgadas e botas de meia estação.

Antes de sair daquele lugar cheio de gente chique, no qual sentia não me encaixar, principalmente por não conhecer nomes de estilistas e por derrubar comida em pessoas, perguntei a um senhor baixinho, careca e muito simpático sobre aquela moça, que era mais uma epifania do que qualquer outra coisa. Nadine disse-me ele, e é ela quem organiza essa coisa toda.

Voltei para casa com a sensação de ir na festa de casamento de bico e arrumar briga com o pai da noiva.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Personagens - Crise dos 7 anos não, só um passo adiante

Por Jules Gilet


Mais uma baixa expressiva no mundo virtual. Lawrence Lessig, após 7 anos de militância blogueira, irá descontinuar os trabalhos de seu blog.

Professor da Faculdade de Direito de Stanford (já tendo também lecionado em Harvard e Chicago), especializou-se em Direito em meios eletrônicos. Ele é responsável pela fundação do projeto Creative Commons, uma iniciativa inspirada pelo guru da liberdade virtual, Richard Stallman, que já tem diversos adeptos pelo mundo, de artistas como Gilberto Gil e Blu a donos do mundo, como o rei do pop, Barack Obama.

Além do fim de seus posts, na comemoração de 4 anos de início das atividades do CC (ocorrida no Second Life!) Lessig anunciou que deixaria a presidência do Creative Commons, dando lugar ao co-fundador japonês Joi Ito.

Suas publicações Remix (2008), Code v2 (2007), Free Culture (2004), The Future of Ideas (2001) e Code and Other Laws of Cyberspace (1999), são importantíssimas para os membros da nação blogueira e são livres para download, gratis.


Jimmy Walles segura a placa de "aposentadoria" de Lessig.


Dentre as razões colocadas por Lessig para a aposentadoria de seu blog (com aproximadamente 1753 posts), a primeira é o nascimento de seu terceiro filho. Além disso, nosso herói acaba de assumir a cadeira de diretor do Centro de Ética Edmond J. Safra, em Harvard. Segundo ele, isso representa uma pesquisa de 5 anos em corrupção institucional (é, nos EUA rola isso também, mas tem um povo trabalhando duro pra não dar em pizza). E conforme Lessig mesmo diz:

“While I expect that project will have a critical cyber-presence,
I don't want its life to be framed by this blog.
The mission, the understanding,
the community is different.”


Por fim, Lessig desabafa ao dizer que 1/3 dos 30 mil comentários em seu espaço são “fraudulentos”, e voluntários tentaram durante todo este tempo apagar tais estorvos. Entretanto, tal mutirão não foi suficiente, a ponto de o Google ter expulsado o blog do homem de seu índex, de tanto que sites de cassinos ilegais linkavam ele. Ao ser questionado porque não colocou barreiras que impedissem tais ações, ele simplesmente responde – em outras palavras, claro - que não faria sentido nenhum lutar tanto tempo para modificar a lei do Copyright sem viabilizar um espaço à livre expressão de idéias.

Concluindo, este é um belo exemplo de como é difícil manter um blog. Subir conteúdo pelo simples prazer de fazê-lo demanda tempo e energia. Mas ele manteve tal janela aberta por quase uma década, obviamente com colaboradores, e não deixou a peteca cair. Ave, Lessig! Ilumine os kiputzers e toda a nação blogueira.

Abaixo, um vídeo que de uma palestra de Lessig no TED. Dá pra ter uma boa idéia de que o homem não está de brincadeira.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O caranguejo, a verdade e o pão na chapa

Tem alguém aí? Perguntou o jovem do lado de fora. Ninguém respondeu. Podia ter certeza que viu alguém entrar por aquela porta, minutos antes. Estava ali, a esperá-la passar. Estranho, muito estranho. Ela acabara de sair para o trabalho e, de certo, demoraria um tanto a voltar. Mas ele não se importava. Iria esperar e dizer tudo que pensava. Sem rodeios, sem meias palavras. Deixaria bem claro o que sentia, sem se importar com a resposta. Afinal de contas era um homem, e um homem ter que fazer o que um homem tem que fazer. Mas enquanto nada acontecia, enquanto ali esperava, prostrado do outro lado da rua, tinha certeza que acabara de ver alguém entrar por aquela porta. Quem seria? São poucas pessoas que entram por ali. E afinal, que raios vinham fazer? Desimportante, isso é desimportante. O importante mesmo é saber exatamente o que dizer. O momento é decisivo e não haverá outra chance. O coração palpita. Talvez seja prudente se acalmar. Há uma padaria logo ali,... quem sabe se tomar um suco de laranja não acalma os ânimos? Dizem que maracujá também é ótimo para os nervos. Um pão na chapa seria ótimo também, afinal, já era onze da manhã e ele estava ali, de pé, desde as oito e meia. Por pouco a perdera de manhã, saindo, disse o porteiro. Mas também, dizer tudo o que é preciso logo de manhã é dose. Muita imprudência. A menina mal acorda e já é bombardeada. Não há sentido. À padaria. É, pão na chapa e suco de laranja, natural, claro. Mas e se ela voltar para o almoço? Mais uma oportunidade perdida. Melhor esperar. O celular toca, o chefe ligando. Ele ignora, afinal, nada mais importa, e ele não conseguiria trabalhar de forma alguma com essa pendência a ser sanada. De jeito nenhum. Uma e meia, e nada dela voltar para o almoço. Talvez esteja muito atarefada no trabalho. Ou talvez ela nem almoce em casa. Pior ainda, talvez ela nem more mais aqui. Não, isso não. Seguramente que mora. Semana passada mesmo ele tinha oferecido uma carona. Ela aceitou, muito educada. Estou cansada, disse. Sempre cansada. Estranho, muito estranho. Talvez ela trabalhe demais e faça muita festa, e esta é uma combinação muito cansativa, mesmo para os jovens. O telefone toca de novo, do trabalho. Melhor nem atender. Onde diabos está você? Pergunta o chefe por mensagem de texto. Será que vale resposta? No hospital. Atropelado a caminho do trabalho. É uma boa desculpa. Velório de vovó também pega bem. Melhor nem responder, conclui. Duas e quarenta. Talvez agora seja uma boa hora de ir até a padaria. O suco de laranja com gosto esquisito faz o garoto concluir que as laranjas foram cortadas com faca de cabo de madeira, a mesma que cortou as cebolas. Pelo menos o pão na chapa está ótimo, mas não vai bastar para amainar a fome. Lembrou-se que o sanduíche de bife à milanesa da padaria era demais. Comiam juntos, aos fins de semana ociosos. Certa vez ela comeu 13 deles. É que resolveu apostar com o dono da padaria, o Miltão. Miltão passou mal com dez, e ela mandou 13. Incrível mesmo. Mas isso faz muito, muito tempo. Miltão até já morreu, de enfarto. Parece que ele apostava sempre quem comia mais, até que as veias entupiram todas. Cinco e vinte. Ela deve chegar em breve, isso se não for correr ou atender à aula de Tai Chi no parque. Bom, recapitulando, dizer tudo, isso mesmo, tudo, sem rodeios. Ele repassa o discurso na cabeça, pois se ensaiar mesmo os passantes vão achá-lo maluco. Onde já se viu, falando sozinho? Seis e meia. Vê seu carro no fim da rua. É agora. Vai dizer tudo, tudo mesmo. As mãos suam, o estômago revira. Respire fundo, rapaz, disse para si mesmo. Ela embica o carro para estacionar, ele atravessa a rua, decidido. Ela o vê, e abaixa o vidro. Olá! Que faz você por aqui? Ela pergunta com um sorriso, já estendendo o rosto para ser cumprimentada. Estranhamente ela oferece a face e deixa a boca tão longe,... e se deixa beijar, mas não beija de volta, não faz nem o barulhinho. Isso lhe soa tão vazio, mas não importa, pois agora é hora de dizer. Diga! Sua cabeça comanda. Ela o encara, esperando por alguma resposta. Não, é que eu estava só passando por aqui. Vinha da igreja e ia à padaria. Igreja? Não sabia que freqüentava. Pois é... Bom, legal,... nos falamos mais tarde então. Estou tão cansada. Vou me aprumar e sair. Que tal uma cerveja? Acho uma boa, responde ele. Melhor eu ir agora, à padaria. Ok, depois nos falamos. Tchau. Ele sai andando, e pensando que mais uma vez deixou passar. Mas também não parecia um bom momento, certamente haverá um melhor. Igreja? Como assim, igreja? Não ia à igreja há anos. Que desculpa imbecil. Mas ele não é tão covarde assim, pensa. Será que evitava dizer tudo por algum motivo? Talvez esta seja uma gaveta que não valha a pena reabrir, pois está muito bagunçada, disse-lhe seu xamã. Mas ele relutava a acreditar nisso. Gaveta. Onde já se viu chamá-la de gaveta. Ela seria um belo de um criado mudo inteiro, isso sim. De ypê. Ou não. Semana que vem. Isso! Semana que vem volto e digo tudo. Fechado! Da semana que vem não passa. Não precisa aparecer mais. Essa foi a última mensagem de texto do chefe.

J.G.


terça-feira, 30 de junho de 2009

cavoca

.
.
.
Cavoca, negão
Revolve essa terra
Que precisa de ar

Cavoca, meu rei
Mas bem fundo mesmo
Sem duvidar

Cavoca, irmão
Mexe e remexe
Pra coisa andar

Cavoca, meu velho
Que é melhor prevenir
Que deixar desandar

Cavoca, amigão
Senão fica chato
E emoção não pode faltar

Cavoca, meu bom
Mas tome cuidado
Senão perdes o par

E quando acabar
Eu trago a semente
Pra você plantar

E se algo faltar
Bata na porta
Que eu vou te ajudar

E pra terminar
Não vou te enganar
E nem me abalar

Vou ouvir
.
Assistir
.
E esperar
.
J.G.
.
.
.

terça-feira, 16 de junho de 2009

D.R. Reloaded - Beyond Here Lies Nothin'

"Down every street there's a window
And every window's made of glass
We'll keep on lovin' pretty baby
For as long as love will last
Beyond here lies nothin'
But the mountains of the past"
Bob Dylan (1941-)




Fonte: IFC

Para todos que amam com vigor.

J.G.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Boa Vista ao Jovem Míope II

Por Jules Gilet


Tempos passados, percursos novos; ou quiçá os mesmos, mas com a determinante ação do tempo. No dia-a-dia, Nívea parece mais aberta, mais disposta ao dolo eventual que outrora, só que com outrem.

Os olhares são mais inquisitivos, céticos. Mesmo em um local que possibilita tantas re-impressões do passado pueril e descabido, agora bem distante. Os gestos, mais comedidos e evasivos. A Capitu contemporânea tem uma omissão proposital, premeditada. Um desinteresse latente no que já foi, enquanto a recíproca, além de inverdadeira, se mostra um tanto apreensiva. Ademais, nos intentos diários, esparsos e vagos, a percepção é que falta reciprocidade em basicamente todas as investidas.

- -

Não creio em horóscopo, mas ao abrir o jornal hoje li no meu quadrante zodiacal:
“Desapegue-se, libere o monstro dentro de você. A quarta-feira permite que você aja em prol do seu próprio futuro com inspiração e praticidade, e o dia tende a ser mais produtivo que o habitual. O nível da sua performance será mais elevado e com isso você chamará a atenção das pessoas para si. “

Tais ditos são sempre tão generalistas que por vezes cogito adotar tal ofício. Mas Oxossi não permite, e quem entende disso tudo mesmo é São Jorge. O resto é resto. Se o dia foi mais produtivo? Se “produtivo” é sinônimo de chuva, problemas e pouco sono, então a mãe Diná ou a irmã dela que escreveu isso, acertou. Agora, “nível da performance”? Que performance? E com essa performance será Possível chamar a atenção das pessoas? Será que dá para passar incógnito, ou devo mesmo soltar o rojão?

Nesse ínterim, Bruna enfrenta seu turbilhão de questiúnculas – que, diga-se de passagem, são demasiadas – e rechaça sem querer, se afasta como que por engano, mas não é uma questão de arrependimento, e sim da busca por um novo iter. Aliás, o iter escolhido foi a Índia, e dentro em breve Bruna embarca para uma viagem em busca do eu. Não do eu-eu, mas do eu-ela, claro. Disse que marcou a passagem de volta para o dia 8 de maio de 2012.

O dia que o horóscopo disser “Hoje é o dia perfeito para viajar. Vá, mude de ares, busque seu eu e não olhe para trás.” eu vou. Vou e levo meu caderninho e uma caneta, e quem sabe uma máquina fotográfica, digital, claro, pois não há mais tempo de parar para trocar rolos. Mas isso tudo é só verborragia, especulação de um raciocínio bem do viciado...enfim... melhor pedir outro whysky.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Find the joy in your life - II

Felicidade?

Na concepção de um jovem passando pelos conturbados tempos da Era de Aquarios, é mais ou menos assim. Mas é claro que esta que segue é apenas uma faceta desse sentimento tão etéreo.

A vertente a que me refiro já foi tratada aqui, mas nunca esgotada, que é fazer do mundo uma pistinha. O pessoal do Technotronic já brilhava a valer no parquet da boemia, e acabaram criando o fenômeno pump up the jam (grossamente traduzido como "bomba na geléia"). E isso há 20 anos.




J.G.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Imagem do Dia



Frente à breve crise dos colaboradores do Kiputz!, deixo meu manifesto com essa bela imagem obamizada de Alfred E. Newman, um ícone do bom conteúdo, a fim de estimular meus parceiros, quiçá um tanto desgostosos com o momento atual (uns de cama, outros de mudança, e outros até em inferno astral[!]). Não esmoreçam, meus jovens!

J.G.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Causalidade



















Ela chegou,
Eu a vi
Ela falou,
Eu ouvi
Ela ficou,
E eu aqui
Ela olhou,
Emudeci
Ela falou,
E eu ouvi
Ela piscou,
Enrubesci
E me beijou.
Respondi.
Ela sorriu
E eu,
Eu sorri.

Mas depois,
Depois mudou.
Não entendi.
Ela causou,
Enlouqueci
E me deixou
Sem despedir.
.
.
.
Não esqueci.
.
.
.
J.G.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Bandoleón Revisited

Por Jules Gilet



O que Babel, 21 Gramas e Diários de Motocicleta e Brokeback Mountain têm em comum? Gustavo Santaolalla. É ele quem está por tras das trilhas desses filmes. Com 2 oscars e alguns Grammys na prateleira, também é ele quem lidera o coletivo Bajofondo, que toca hoje (07) em São Paulo, amanhã (08) no RJ, sábado em Brasília e domingo em Porto Alegre.


A banda, que já esteve no Brasil e ficou bem famosinha por trilhar o tema da novela A Favorita, está divulgando seu último CD “Mar Dulce”, lançado em julho de 2008 e com participações de Elvis Costello, Nelly Furtado, Julieta Venegas, Gustavo Cerati, Ryota Komatsu, La Mala Rodriguez, Santullo, Juan Subira e a última performance gravada por Lagrima Rios. Neste novo trabalho, o grupo argentino-uruguaio abandonou o sufixo “tango club” (pois segundo Santaolalla, eles não gostam muito da alcunha “tango eletrônico”), e busca influências do trip-hop, drum & bass e pop para dar o tom todo modernoso ao melancólico estilo do Rio de La Plata.


Formação
______________________________________________________________
Show de São Paulo - INFO:
  • Data: 07 de maio de 2009
  • Horário: 21h30
  • Local: Via Funchal
  • $: de R$60 a R$200

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Personagens - Egrégio Erótico ou Ministro para Maiores

Por Jules Gilet



Para quem ainda não conhece, o excelentíssimo senhor acima é um dos onze estelares egrégios que compõe o Supremo Tribunal Federal, ou STF. Indicado por nosso Presidente, o Ministro Eros Grau renunciou ontem o cargo que acumulava, no Tribunal Superior Eleitoral. "O Supremo me absorve. Estou convencido de que não posso dividir a minha fidelidade a ele com outro tribunal", disse o felpudo Ministro em carta encaminhada aos funcionários de seu gabinete na Corte eleitoral. Para substituí-lo, o TSE contará com Ricardo Lewandowski.

Em 2010, ao completar 70 anos, o ilibado se aposenta do Supremo e, segundo fontes mais verossímeis e idôneas do meio da comunicação, debruçar-se-á sobre uma atividade muito cara para si, a literatura, e voltará para sua aprazível e bucólica residência em Tiradentes (MG).

"Os dois entraram na casa para buscar alguma coisa.
Xavier abraçou-a, juntou seu corpo ao dela e ela sentiu o pênis teso.
Tirou para fora e pediu-lhe que pegasse.
Foram não mais do que dois ou três segundos, agarrou e largou,
como se tocasse um ferro em brasa - era, de fato,
um ferro em brasa. Uma amiga, ao voltar da lua-de-mel,
contou-lhe que, quando entrava, era como se aquela
coisa viesse, por dentro, até a garganta."

O trecho acima foi retirado do primeiro romance escrito por nosso Ministro. Para quem gosta dessa literatura carregada de erotismo e sensualidade, não pode deixar de conferir Triangulo no Ponto, de Eros Grau.

CINEMÃO - Repulsa ao Sexo




Repulsa ao sexo – Repulsion, de Roman Polansky (1965)

Imagine Catherine Deneuve aos 22 anos. Jovem vaidosa e trabalhadora, que passa por você nas horas de almoço, arrastando olhares seus e de toda a rua. Agora imagine se ela trabalha para Roman Polansky em um thriller. O resultado é uma personagem maravilhosamente bela e incrivelmente perturbada. Carol Ledoux, uma tímida manicure que tem uma pequena fobia de contatos íntimos, ao se ver sozinha enquanto a irmã aproveita as férias com seu namorado casado, se tranca em casa, deprimida. Seu rechaço às investidas masculinas se torna mais sério, e Carol entra em completo surto. Fora o prato com um coelho apodrecendo no meio da sala, tudo parece a incomodar, principalmente suas desagradáveis visões. Tudo isso em preto e branco e com uma trilha nervosa.



J.G.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Boa Vista ao Jovem Míope

Por Jules Gilet


Nívea e Bruna
Cada uma em seu cada qual
Bancando suas jovens carcaças
Sob o sol

Os bikinis de marca
Cobertos de sal
E os pés sujos
Em sandálias populares

E na Bahia ta tudo massa
Mesmo em abril
E sozinho nas pedras
Rememoro a virada

Desde então
Quanto calor
Quanta emoção
Quanto senão.


terça-feira, 28 de abril de 2009

Samba de Outono

Por Jules Gilet



I
Denis era um louva-a-deus do samba. Jovem, verde e disposto, saía todas as sextas a fim de encontrar os amigos, beber uma cerveja, enfim, curtir a curta e prazerosa existência com seus pares.

O samba comia solto no arbusto da rodésia, e a roda reunia gafanhotos, grilos, borboletas, baratas e todo o povo a fim de um bailinho. As formigas não, pois estas trabalham duro para manter coesa a existência.

Num desses dias de festa, estava o jovem louva-a-deus a se aprumar. Após o banho, se afeitou, passou água-de-cheiro e até gomalina no cabelo. Botou de volta no pescoço a correntinha de São Jorge e, como era outono e a temperatura cai, vestiu sua camisa xadrez de flanela.

II
No caminho, parou na casa da Vó Nísia, para pedir a benção e ver que efeito sua produção causava na mulher mais sábia do bairro. Ainda que suspeita para falar, pois era avó do herói, Vó Nísia se impressionou com o garbo do jovem, mas manteve o entusiasmo para si.

Benção, Vó.” Disse Denis.
Jah te abençoe, meu neto. Posso saber onde vai todo arrumado?
Pois vou ao samba!
Hoje já é sexta? Como os dias passam rápido... A vida é curta, Denis. Aproveite-a enquanto é tempo, ainda mais no outono. Época tão agradável...
Ta lembrando do vô, né?
Ah, seu avô... conheci-o no outono, numa noite como esta. A lua cheia sorria para os que dançavam na gafieira ao som do Cartola e....
A senhora já me contou essa história, minha vó.” Já se levantando.
"Vocês jovens são muito impacientes. Mas não o culpo. Vai, meu filho, vai rodar essa carcaça.

E assim Denis saiu da casa de sua avó, e tomou o rumo do baile.


III

No arbusto da rodésia, a roda já estava quente. E do centro dela saíam os maiores sucessos de Bezerra da Silva, Zeca Pagodinho, Adoniran, Noel, Chico, Vinícius, Lamartine Babo, Cartola, Paulinho da Viola, Monarco, Elton Medeiros, Candeia e Zé Keti.

Todos se amontoavam e cantavam. Esbarrando em baratas, bezouros e alguns zangões, Denis foi até a mesa de comidas, onde sarapatel – o seu prato preferido - caruru, tucupi e tacacá são regra. E para beber, muita Catuaba, cachaça e Netuno. Denis ia começar sua boquinha quando, de repente, se deparou com uma bela louva-a-deus fêmea, mas diferente dele, ela era uma bela e marrom statilia maculata. Denis ficou paralizado. Seu coraçãozinho começou a bater como nunca. Enquanto fitava, não se deu conta que seu amigo Ernestito - um besouro baixinho e fanfarrão - chegava e levou um pedala na nuca.

Acorda ae, Denis!
Pooorra, pedala é sacanagem!
Aqui é assim, trutinha. Vacilou, o cachimbo cai. Que ‘cê ta com essas antenas de pé?
To paradão naquela marrom ali.
A Isabel? Ela é realmente demais, né? Elegante, ereta, e samba que é uma beleza. Acho que vou convidá-la para um bate-coxa
É mesmo? E aquela ali?” Denis apontou para o outro lado.
Onde?

Ernestito se virou rapidamente, curioso e, neste momento, com um golpe rápido, o louva-a-deus virou o amigo de cabeça pra baixo, e este ficou sacudindo as perninhas pra cima, sem sair do lugar.

Rapidamente, Denis foi se esquivando do povo que dançava contente, até que chegou próximo a Isabel. Se apresentaram, se cheiraram e roçaram antenas. Isabel tinha um ar austero, porém sacana, e logo gostou do nosso herói que, verde como a mata, chamou-a para dançar. De fundo, Cartola:

"Tive que contar a minha vida
A esta mulher fingida
Que me faz sofrer
Esta dor que tanto me crucía
Roubou toda a alegria
Do meu viver

Pode ser que ela ouvindo os meus ais
Volte ao lar pra viver em paz

Esta malvada bem sabe o mal que me fez
Mas não faz mal eu lhe perdoo outra vez
Meu coração vive reclamando noite e dia
Por isso eu peço que ela volte para a minha companhia"

Rodopiaram o salão. Abriu-se um considerável espaço ao redor deles, e todos encaravam aquele jovem louva-a-deus conduzindo a esguia Isabel com muita destreza.


IV
Após muita dança, Denis chamou Isabel para tomar um Netuno e um ar. Esta aceitou de bom grado, e logo estavam fora do arbusto da rodésia, se atracando com muita lascívia. Bem que sua avó havia lhe avisado que o outono transforma as mulheres. Ela também havia dito outra coisa sobre as fêmeas, mas por ter a cabeça pequena demais, não conseguia se lembrar exatamente o que.

O clima foi esquentando e, bem ao fundo, Denis ouvia um tema de Chico.

“(...)
Essa moça tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar"

De repente, Isabel foi abrindo a camisa xadrez do nosso herói que, sem acreditar na situação em que se encontrava, devolveu o estímulo, esfregando as anteninhas na moça.
"(...)
Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Que ela só me guarda despeito
Que ela só me guarda desdém"

E ali mesmo, no meio da mata, à luz da lua, consumaram o ato, sem se importar com os passantes. Uma taturana que voltava do trabalho ficou horrorizada ao ver tanta sem-vergonhisse e fez uma careta. Estranhamente, Denis, apesar de estar completamente envolvido na situação, tentava insistentemente relembrar o conselho de Vó Nísia. Parecia importante, mas não conseguia por nada se lembrar o que era. A temperatura do jovem herói foi subindo, e Isabel não saía de cima dele.

"Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Se do lado esquerdo do peito
No fundo, ela ainda me quer bem
Essa moça...”

Acabou a música. Em meio aos aplausos, os sambistas fizeram menção de acabar com o som, mas o povo gritava “mais um, mais um!”. Denis tentou dizer algo, mas foi silenciado pela sensual moça, que aumentava seus movimentos cada vez mais. O povo começou a gritar em uníssono:

“Apesar de você
Amanhã há de seeeeeer
Outro diiiiiiiiaaa...”

E nesse momento nosso herói lembrou, mas era tarde, pois num movimento quase imperceptível, Isabel arrancou-lhe bem a parte da cabeça responsável pela lembrança dos conselhos da avó. Ele tentou gritar, mas ela tapou-lhe a boca e continuou a comer sua cabeça. Uma aranha que passava saiu correndo, achando que era assalto.

Não adianta gritar, meu bem. É assim que as coisas funcionam para nós.” Disse Isabel, de boca cheia.

E foi a última coisa que nosso jovem e verde herói, agora acéfalo, ouviu, pois a libidinosa e experiente Isabel abocanhou suas orelhas. Babando e tremendo, por algum motivo Denis ainda participava no ato do amor, e até com mais intensidade. E por fim, ambos chegaram ao clímax juntos, apesar de um não mais estar ali na consciência. Isabel, arfando, encarou-o por um tempo, caído na folhagem, mas como sua cabeça também era pequena, logo se esqueceu do nome de nosso herói. Reparou na correntinha de São Jorge no pescoço do desfalecido e pegou para si, de recordação.


terça-feira, 31 de março de 2009

Personagens - Tudo que é bom...

Por Jules Gilet



O fantástico mundo virtual perderá um de seus colaboradores mais assíduos. Odin Industries é um site que ao longo dos últimos dez meses vem postando diariamente fotos de jovens moças em sua intimidade. O serviço prestado não pode ser considerado de “sacanagem” visto que, ao trazer fotógrafos como Ján Hronsky, Roy Stuart, Richard Kern, James Christopher, The Mofo, Mojokiss e muitos outros (amadores e profissionais), a contemplação do nu e de momentos de extrema sexualidade elevam tal trabalho ao state of art.




Visito este enorme baú de referencia com alguma regularidade. E qual não foi minha surpresa ao encontrar pela primeira vez, a foto de um cara ruivo e barbudo, possivelmente o único homem presente nos mais de 2500 posts de belas garotas.

Logo abaixo da foto do Barba Ruiva, vem um aviso de que o trabalho será descontinuado principalmente porque o nosso colaborador foi convocado pela Marinha (US NAVY).

É num momento como esses que imaginamos: “Esta tudo perdido.” Mas não. Para a alegria geral da nação wiki, ele oferece o projeto para quem quiser geri-lo. Um trabalho e tanto, mas que pode ser feito com muito prazer. Quem se habilita?



Foto: Mojokiss


sexta-feira, 27 de março de 2009

CINEMÃO - Na Captura dos Friedmans



Na Captura dos Friedmans – Capturing the Friedmans, de Andrew Jarecki (2003)

Educação vem de casa. Seja você cristão, judeu, muçulmano ou ateu. Arnold Friedman, um ex-músico, premiado professor e exemplo do sonho americano, criou sua família muito bem, obrigado. Mas a vida de classe média alta yankee começou a mudar quando a polícia bateu à sua porta para prender Arnold por trocar revistas de conteúdo pornográfico por correspondência. E a situação se agrava quando uma investigação revelou que o pater familia também abusava de crianças durante aulas de computação em sua casa. E pior, testemunhas constataram que seu filho mais novo, Jesse, participava. O maior problema da história toda – que teve boa parte registrada em vídeo pelos próprios filhos - é que sobre as pesadas acusações pairam um sem número de dúvidas sobre a autoria de tais crimes. Com 20 prêmios e 8 indicações, o primeiro documentário de Andrew Jarecki busca cercar todos os cantos da história de uma família de temperamentos variados que simplesmente se esfacelou, sem apontar o dedo para os acusados de tamanha atrocidade, deixando uma pergunta: Em quem você acredita? [raphael bottino]

Fonte: b-coolt





J.G.

terça-feira, 17 de março de 2009

Vá com Jah, Clô.

Por Jules Gilet


H
oje o Brasil fica menos rosa. O deputado, estilista, ator, cantor, e apresentador e professor primário Clodovil Hernandes (1937-2009) morreu no fim da tarde de hoje, após ter sido vitima de outro AVC.


Para os homofóbicos que vierem com frases como “já vai tarde” ou “é um a menos”, peço que cliquem em outro blog, ou em qualquer outro lugar que não seja aqui.

Não sou nem nunca fui fã desse polêmico parlamentar, um dos mais votados nas eleições, que entre uma quebra de decoro parlamentar e uma infidelidade partidária, o deputado teria dito, olhando para a lente da verdade, que não saberia o que fazer após sua posse.

“Afronte o mundo, não sua consciência”, disse ele à Revista Época. E foi o que ele fez. Nunca escondeu suas preferências de ninguém, sempre disse o que pensava, e possivelmente entrou no Congresso por isso. Ou pelo fato de não ter ninguém melhor.

Vá com Jah, Clô.

A seguir, segue um belo vídeo de nosso representante em Brasília.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Post 81

Kiputzers:

Quando pensei em criar o kiputz cc tinha em mente utilizar este espaço para aproximar os amigos queridos. Em seguida decidimos torná-lo público. Questão discutida a exaustão.
Por este motivo o Kiputz cc passou a criar conflitos em alguns relacionamentos.

Qual será nosso próximo objetivo:

L. R.: Alcançarmos 100 visitas dia.

J.G.: Estou muito contente com nosso magazine. Sigo defendendo que podemos postar quando quisermos, sendo obrigatório o post de cada dia. Como um dos maiores postadores, tem diversos assuntos que me interessam publicar fora meu txt semanal, como filmes, fotos, noticias, enfim, só alcançamos 80 posts e menos de 2 meses por causa disso. Não sei de vcs, mas sigo eufórico com essa brincadeira.
Sugestão: para darmos uma cara, poderíamos classificar alguns posts, como "imagem do dia", "cinemão" ou outras sugestões. Tomei as minhas próprias como exemplo pois venho tomando cuidado de dar uma "cara" pro negócio.

Parabéns a todos kiputzianos.

r.e.: Particularmente eu acho que o blog ainda não tem uma "cara", não que tenha que ter, mas acho interessante que tenha. E no meu ver isso fica mais fácil se voltarmos a regra inicial de que cada um tem um dia para postar e só postar nesse dia. Entendo que logo nos primeiros dias isso era uma tortura, pq queríamos postar o tempo todo, cheguei até a ativar um blog antigo (edelsteinrodrigo.blogspot.com). Agora, passada a euforia inicial acho que poderíamos rever uns pontos.
O que vcs acham?

P.A.: acabar com todos os relacionamentos.

UVMQ: Interagir com diferentes formas de ver coisas diferentes.